segunda-feira, 9 de abril de 2007

Revistas Femininas: espelho de mentalidades?

Revistas do tempo de Salazar
A imagem da mulher subjugada ao homem, em que este é dono e senhor da sua vontade...uma mulher sempre pronta a agradar e a perdoar, uma mulher apenas com deveres, os direitos ficaram à porta no momento em que nasceu...

Revistas do nosso tempo (século XXI)
A mulher mãe e/ou trabalhadora, com direitos e deveres, com papéis distintos e de difícil gestão e, no entanto, a mulher obcecada com a aparência e a figura...atolhada em conselhos dietéticos, as rugas que começam a aparecer, o terror de engordar...
A cultura do parecer em vez do ser, o superficial, o invólucro em detrimento do conteúdo.


«Sob a capa de uma pretensa modernidade, as revistas femininas perpetuam a ideia e o olhar antigo sobre a mulher, ao aceitarem e veicularem uma clara hegemonia da aparência sobre a importância do seu trabalho», sustenta Alice Marques, autora da obra Mulheres de Papel, livro em que analisa as representações do corpo nas revistas femininas.A Cosmopolitan e a Máxima foram o seu campo de observação e a partir das leituras que realizou conclui que «há uma assimetria simbólica os homens são mais valorizados por aquilo que fazem e as mulheres por aquilo que parecem».
De resto, sublinha ao DN, «existe uma visão muito conservadora da parte das revistas femininas, ao ponto de esquecerem, na valorização que fazem do corpo da mulher, uma das suas partes essenciais: o cérebro. Mas nada disto será de estranhar se repararmos que a prostituição e a moda, profissões intimamente ligadas ao corpo, são as únicas actividades em que a mulher é mais bem paga que o homem», acrescenta.Mas se a imagem que as revistas projectam da mulher é semelhante, independentemente dos títulos, há, contudo, algumas diferenças na abordagem dos temas. Alice Marques considera que a Cosmopolitan, «publicação ligada à revolução sexual (a directora-geral, Helen Gurley Brown, é um símbolo das lutas das mulheres pela libertação sexual nos EUA) dá uma ideia da mulher emancipada, sexualmente livre, com as mesmas capacidades dos homens, mas depois alerta-as para a necessidade e importância de se manterem jovens, perfumadas e lindas».
Quanto à Máxima, considera que se trata de uma revista «mais conservadora na apresentação da sexualidade das mulheres, embora mais preocupada na divulgação das questões da violência, dos direitos e dos papéis que as mulheres desempenham. Porém, realça, a sua contradição reside no grande enfoque que dá ao corpo-aparência, em que dedica dezenas de páginas de textos aos mesmos temas e com o mesmo olhar de qualquer outra revista de mulheres».
Em seu entender, «falta dar mais atenção ao trabalho das mulheres, ao que elas fazem, ou seja, observá-las enquanto seres produtores e não apenas como consumidoras». E porque este tipo de tratamento mediático, sublinha, «ilude também as questões e as diferenças de classe», Alice Marques concorda que num mundo onde «o corpo tem um grande valor no mercado de trabalho, há muitas mulheres da classe média que retiram daí algumas vantagens». Mas nada disso, sustenta, apaga o problema essencial «O sofrimento de muitas face à juventude que estão a perder e a secundarização permanente das suas competências face ao poder hegemónico da imagem».

4 comentários:

PixaComXis Produxões disse...

A IMPRENSA JÁ NÃO É O QUE ERA...

HR disse...

Diz que na indústria porno a mulher também é melhor remunerada que o homem...

GrupoDeInvestigação disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Claricinha disse...

«(...)a prostituição e a moda, profissões intimamente ligadas ao corpo, são as únicas actividades em que a mulher é mais bem paga que o homem (...)» diz que sim...